Publicado por: avgvstv | agosto 4, 2010

O órgão nas funções Litúrgicas

Da momentosa Carta Pastoral, que S. Em. D. Jaime de Barros Câmara, Cardeal- Arcebispo  do Rio de Janeiro, publicou em 1945 sobre a Música Sacra,extraímos o seguinte trecho relativo ao toque do órgão nas funções litúrgicas:

“o órgão é o instrumento eclesiástico por excelência. A sua nobreza vem do lugar destacado que ocupa, há muitos séculos, nas catedrais e mais igrejas, e de sua função elevada: criar ambiente adequada à solenidade litúrgica que se celebra. No Brasil, as igrejas pobres e pequenas substituem o órgão pelo harmônio. Devemos cuidar que os órgãos a se instalarem em nossas igrejas, conservem sua fônica tradicional, religiosa e austera. Lembramos também que esse instrumento deve ser tratado de acordo com sua natureza. Freqüentes no correr dos séculos são os avisos para que nada de impuro e lascivo se admita no uso do órgão. Não deve ele, o “rei dos instrumentos”, ser degradado a mero acompanhar de flauta, violino ou violoncelo, a não ser que estes, em contrapontos e melodias apropriadas, façam ressaltar o valor dos cânticos. Quando o órgão é usado como acompanhamento das vozes, não deve suplantá-las. Ele é também aproveitado para encher os intervalos e formar poslúdios, evitando-se assim os finais repentinos, inestéticos e bruscos. Compenetre-se o organista de que sua alta missão não é puramente artística, mas eminentemente religiosa.

Órgão da Sé de Mariana

Estude a liturgia, procure adquirir-lhe o espírito. Só assim terá gosto pela arte dos sons, e sentir-se-á bem no desenrolar dos nossos ritos sacros. Atenha-se escrupulosamente às prescrições da  Sagrada Congregação dos Ritos. É o organista que dá vida e alma ao instrumento. A Santa Igreja faz questão da presença do homem; é a sua fé e piedade que, caso por caso, deve concorrer para a beleza da cerimônia litúrgica. Por isso a Santa Sé não aprova o órgão automático, apesar de suas inegáveis utilidades. Daqui se infere não ser de conformidade com a mente da Igreja o uso de discos irradiados durante as cerimônias no interior dos templos. Recomenda-se aos organistas, e não sem motivo, evitem improvisações nos interlúdios prolongados, a não ser que tenham competência para tal. Geralmente, ao inicio de uma cerimônia, tudo deverá estar já previsto e marcado: prelúdios, cânticos, interlúdios, de modo que haja seqüência natural e corrente, para edificação da assistência. Como é doloroso, ao sair-se de uma função sagrada, ter-se a impressão de haver terminado, finalmente, um sonho agoniado.” (Comentário meu: sorte do senhor Cardeal que não conheceu a Missa Axé,  a Missa Serteneja, a Missa com funk…)

Fonte: Revista  Sponsa Christi, Vozes,  1947.

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