Publicado por: avgvstv | julho 11, 2010

Conselhos de um filósofo aos construtores de igrejas

Num dos vários artigos de Leonardo van Acker, filósofo belga radicado no Brasil, encontrei uma passagem inesperada, especialmente pelo assunto. Antes de começar uma análise das obras do Cardeal Mercier, o filósofo dava alguns conselhos a um seu aluno que decidiu ser engenheiro. Pensamos em reproduzir o breve trecho como prelúdio a uma série de postagens sobre arte sacra. A Igreja Católica, ao contrário das heresias, ensina que o homem é corpo e alma e que deve usar de seu corpo em função da alma. Por isso a Igreja sempre usou de meios materiais para auxiliar à vida espiritual. As artes são uns desses meios e nelas a arquitetura ocupa espaço importantíssimo, são nas obras produzidas pelos arquitetos que se dão as cerimônias religiosas.

Atual Catedral de Belo Horizonte

O modernismo artístico que no Brasil, e particularmente em Belo Horizonte e Brasília, teve Oscar Niemeyer como estrela maior vem declinando nas construções religiosas, pelo menos em alguns lugares. No Brasil não. E quão grande foi a destruição artística e, em certa medida, espiritual que esse movimento causou! Até o começo do século XX poder-se-ia aprender muito simplesmente estando numa igreja, com o modernismo artístico que tanto prega a utilidade das obras, as igrejas já não são tão úteis como antes, já não ensinam quase nada. Em termos de arte religiosa, no dizem de um importante arquiteto que ainda apresentaremos ao leitor, as últimas décadas foram de um grande vazio, foram um tempo de destruição. Hoje, muito mais do que quando foram dados, os conselhos do filósofo necessitam ser acatados. Na nossa Arquidiocese, infelizmente, teremos mais um obra do arquiteto ateu, nada menos que a nova catedral. Esperamos voltar ao assunto, agora deixamos o leitor com Leonardo van Acker:

 “O amigo, tendo escolhido a carreira de engenheiro na arte das construções, terá forçosamente que adquirir a reta razão das coisas factíveis, cujo principio é o “finis operis”, o próprio fim das coisas belas e úteis. Não haverá engenheiros que, esquecidos desse princípio elementar, ao fim da obra prefiram o fim do obreiro? O certo é que, havendo justiça imanente nas coisas, o engenheiro que cuidar das riquezas próprias em detrimento das utilidades e serviços públicos, torna-se agente revolucionário, com todos os cúmplices.

Tenha pois como primeiro principio de ação, o respeito à utilidade e beleza das coisas. Respeitar o fim útil da matéria é servir os interesses econômicos e sociais dos homens; cuidar da beleza das coisas úteis é favorecer os interesses morais e metafísicos. Não tenha pois medo de sugerir com delicadeza aos clientes os primeiros princípios da estética arquitetural. Neste caso também é primeiro princípio o fim e destino das coisas. É bonita a casa que torna íntima a vida do lar.  É feia a casa que na rua exibe a família, as riquezas e o luxo que se reveste de mau gosto.

Desenho da nova catedral

Se o amigo quiser construir belas casas de Deus, não deixe de visitar os monumentos coloniais da própria pátria, buscando, em viagens européias, inspirações na arquitetura, sagrada pela fé dos séculos. Sobretudo conserve a religião, pratique a oração e viva na liturgia, se quer realmente ser construtor de igrejas. Não queira imitar servilmente a Europa, mas consulte a alma religiosa do povo e os motivos da natureza ambiente. Todas essas conseqüências derivam da mesma fonte: nas cousas factíveis, o princípio da reta razão é o fim da obra, e não o fim do obreiro.”

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Responses

  1. Que Deus proteja nossa cidade para que isso não aconteça. Essa cuia com uma nota musical inventada por esta mumia não pode ser uma igreja, no maximo uma igrejola protestante(tem a cara deles, moderna e inutil). SM.

  2. Gostaria de perguntar:
    quem é o autor deste artigo?
    Qual a fonte da citação? De que obra (ano e páginas) é citado Leonardo van Acker, por favor?

    • Prezado Zoltan, Salve Maria
      O autor do pequeno artigo é o responsável pelo blog (eu mesmo). Peço um tempo para verificar a fonte da citação, visto que estou de mudança e meus papéis não estão muito acessíveis.


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